Manuel António Pina

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Dois sentimentos diferentes que aconselham abordagens diferentes também: a desconfiança, porque mexe connosco, pode ser um ponto de partida, tal como tudo o que nos desperta curiosidade, enquanto que, perante o que nos passa ao lado, não estamos nem aí [é-nos indiferente]. Trabalhar contra a indiferença, exige da nossa parte constantes chamadas de atenção, não da chamada que censura mas daquela que, pelo entusiasmo com que é feita, procura implicar o olhar até então indiferente.

Se eu fosse professor outra vez, lia e dava a ler este poema, no primeiro dia de aulas, e procurava contaminar o programa, que tivesse para dar, com ele.

Há tantas coisas bonitas que não há. E não há, não apenas por não existirem, mas porque, muitas delas, andam algures sem alguém que as conheça e as dê a conhecer [afinal são coisas que não há que há]. 

A escola bem que poderia ser um lugar de procura de tudo o que não há, por não sabermos que há; de tudo o que eu nem posso imaginar / porque se o imaginasse já existia / embora num lugar onde só eu ia...

Uma coisa me põe triste, desabafa Manuel António Pina a abrir o seu poema. Uma coisa que se transforma em tanta coisa, à medida que o poema avança e que podemos tomar como porta de entrada nos programas escolares, contaminando-os de poesia. Afinal eles estão cheios de coisas que não há que há, porque à espera de se revelarem: bichos que já houve e já não há / livros por ler, coisas por ver, /.../, pessoas tão boas ainda por nascer [porque pessoas boas e más nascem em todas as gerações. Ou então porque, ao nos educarmos, é a pessoa boa que há em nós que procuramos] e outras que morreram há tanto tempo ! 

De certa forma, vejo este poema como uma viagem a convidar-nos a encetar novas viagens e a juntar-lhe outras «coisas que não há». E, a partir daqui, talvez fosse possível construir outros poemas, a partir da leitura que fizermos do programa. E do programa, quem sabe, fazer um «poema» que nos implica com ele !

Então, nos primeiros dias de escola, ocupar-me-ia a fazer visitas guiadas ao programa. E, nestas visitas, aconteceria certamente encontrar lugares já visitados [«lembranças de que não me lembro»] a pedirem novas visitas, outros a provocar desconfiança, contaminados por experiências mal sucedidas, e outros ainda que nem sabíamos existirem, a provocar sentimentos a variar entre a curiosidade e a indiferença.* E a estas visitas aos lugares que somos todos obrigados a conhecer, juntaria propostas de outras visitas, sugeridas pelo interesse dos alunos: tudo o que eu nem posso imaginar / porque se imaginasse já existia / embora num lugar onde só eu ia...

Nada disto é novidade. Há muito que muitos professores(as) fazem leituras do programa e convidam os seus alunos a falar do que gostariam de conhecer. Às vezes [muitas vezes, por sinal], acontece este ou aquele interesse demonstrado substituir um item do programa, porque responde ao mesmo objectivo. Aliás, um dos segredos da gestão flexível do currículo está aqui: nesta possibilidade de conciliar interesses particulares com as obrigações colectivas que fazem o programa. Mas isto implica não fazer do manual escolar o programa, e ajudar a fazer de cada interesse particular demonstrado um projecto

COISAS QUE NÃO HÁ QUE HÁ                                                                                                                                                                                                                                                                                                          

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